Rice, Yvo and March: 3 situations – same issue (part 2 of 3)
Arroz, Yvo e Passeata: 3 situações – mesmo problema (parte 2 de 3)

Yvo – “What kind of world do you want to be living in 2050?”
Yvo – “Que tipo de mundo você quer viver em 2050?”
Depois de um dia fora da bolha das negociações, voltamos com tudo para uma reunião no sábado de manhã (3 de outubro) com Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção da ONU sobre mudanças climáticas (UNFCCC). Tudo começou na segunda-feira passada, quando estávamos numa recepção oferecida pelo governo da Tailândia aos participantes da conferência. O Sr. de Boer andava sozinho pelo salão depois de posar para foto com o Primeiro-Ministro da Tailândia, quando o nosso “tracker” francês pediu para tirar uma foto com ele e perguntou quando iria nos receber. Ele disse para procurarmos a secretária dele para achar uma lacuna na sua agenda. Organizamos tudo e conseguimos um horário para encontrá-lo. E chegou sábado!
Procuramos levar o encontro da maneira mais descontraída possível. Primeiro cada um de nós se apresentou, depois falamos sobre o projeto “Adote um negociador” e fizemos algumas perguntas, cujas respostas servem de base para o que escrevo a seguir. A ideia era twittar o encontro, mas claro que naquela manhã o Centro de Conferência da ONU ficou sem internet.
O secretário da UNFCCC disse que a Cúpula de alto-nível sobre mudanças climáticas, que ocorreu na sede da ONU, em Nova York, no dia 22 de setembro buscou chamar a atenção dos líderes para a necessidade urgente de um acordo que defina ações para tratar das mudanças climáticas em Copenhague (CoP-15), em dezembro desse ano. Até Copenhague é fundamental que presidentes e primeiros-ministros se engajem em torno dessa questão porque são eles que decidem as posições defendidas pelos negociadores aqui! Portanto, temos que nos mobilizar para pressionar sua ida a Copenhague! De Boer disse que os líderes mundiais só comparecerão na CoP-15 se houver sucesso para celebrar, nenhum deles irá se houver grandes chances de fracasso. (O sucesso ou fracasso depende deles.)
Caiu como um balde de água fria, ouvir Yvo de Boer falar que provavelmente os países desenvolvidos vão acertar uma redução de 20% das emissões de gases de efeito estufa até 2020 e que espera também que sinalizem metas de redução a longo prazo (2050). Doeu porque não é o que a ciência recomenda (o IPCC fala em 25-40% de redução até 2020), mas ele disse que isso não significa que o processo fracassou. Lembrou que o Protocolo de Quioto pode não ter significado muito em termos de redução de emissões, mas que foi bem-sucedido na estrutura que criou (e que agora está ameaçada – vou escrever sobre isso ainda essa semana).
Listou três desafios nesse momento: fazer com que os Estados Unidos assumam compromissos, envolver os países em desenvolvimento e desenhar uma arquitetura financeira que atenda as necessidades dos países que realmente precisam de recursos para implementar ações de mitigação e adaptação. Falou que esse último ponto merece especial atenção dos líderes.
Reformulou a pergunta estampada nas camisetas dos jovens que acompanham as negociações (“Qual será sua idade em 2050?”) para “Que tipo de mundo você quer viver em 2050?” e disse que está na hora de parar de financiar o passado e começar a financiar o futuro, usando, por exemplo, energias renováveis e transportes que não emitam gases de efeito estufa.
Terminou dizendo que é difícil sensibilizar as pessoas para a questão das mudanças climáticas porque não se relaciona o tema com o cotidiano das pessoas. Disse que grande parte da população do mundo se preocupa com quando vai ser a sua próxima refeição, mas que se estabelecermos a relação de que um aumento de 2ºC pode significar o fim da produção de arroz na Tailândia, por exemplo, as pessoas vão se preocupar com o tema e passar a pressionar seus políticos.
Terminamos o encontro, presenteando o Sr. de Boer com uma camiseta do projeto “Adote um negociador”, porque ele é o principal encarregado para seguir os negociadores de todos os países.
Próxima missão: Reunião com Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, em Copenhague!
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Juliana Russar
Apaixonada por política internacional e desenvolvimento sustentável. Sou formada em Relações Internacionais, tenho 26 anos, vivo em São Paulo e atualmente sou coordenadora da 350.org Brasil e faço parte do programa Oxfam International Youth Partnerships. Acompanho as negociações desde 2007. Essa é a minha quinta Conferência das Partes.









