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	<title>adoptanegotiator.org &#187; Brazil</title>
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		<title>Roubando a cena</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 23:12:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Russar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como podem imaginar, até mesmo nas negociações de clima da ONU, o assunto do dia foi o início da Copa do Mundo. As reuniões de encerramento do AWG-LCA (Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Ação de Cooperação de Longo Prazo) e do AWG-KP (Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Novos Compromissos para Países do Anexo I [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; ">Como podem imaginar, até mesmo nas negociações de clima da ONU, o assunto do dia foi o início da Copa do Mundo. As reuniões de encerramento do AWG-LCA (Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Ação de Cooperação de Longo Prazo) e do AWG-KP (Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Novos Compromissos para Países do Anexo I do Protocolo de Quioto) foram programadas para terminar às 13h, de modo que todos pudessem assistir o jogo de abertura da Copa, México X África do Sul, coincidentemente os anfitriões da CoP-16 (2010) e CoP-17 (2011), marcado para as 16h. A sessão do LCA começou atrasada e muito tumultuada por causa de um incidente envolvendo a  Arábia Saudita. Parece que alguém tirou uma foto ofensiva com a placa do país e mandou para a delegação saudita. Todos os países resolveram se pronunciar condenando o fato, até mesmo países como a China, que não sabia o que tinha acontecido mas mesmo assim pediu a palavra para manifestar apoio à Arábia Saudita, afinal, se podemos sair do foco do real motivo para estarmos aqui, por que não fazê-lo?  Até que todos se declarassem sobre o fato, passou uma hora. Finalmente, os países começaram a se manifestar a respeito do <a href="http://unfccc.int/files/meetings/ad_hoc_working_groups/lca/application/pdf/awg-lca_advance_draft_of_a_revised_text.pdf" target="_blank">novo texto</a> para facilitar as negociações apresentado pela chair do grupo, no fim da noite de quinta-feira. A expectativa era grande para ver quais seriam as reações dos países, mas logo de início o G-77+China se manifestou contra o texto. Logo em seguida, a chair teve que interromper a sessão novamente porque os tradutores tinham que fazer um intervalo de 90 minutos. México e África do Sul não queriam de jeito nenhum que a sessão fosse interrompida (então por que deixaram a sessão começar com atraso?) porque isso significaria que teriam que trabalhar durante o jogo, o que acabou acontecendo. Retomada a reunião, após o descanso dos intérpretes, os países em desenvolvimento condenaram o trabalho conduzido pela chair, falando que o texto não estava equilibrado, não atendia as demandas do G77 e que parecia que a chair tinha feito um texto para ela negociar com os países-parte da Convenção, e não que tinha produzido um texto para os países-parte negociarem entre si. A Bolívia até mesmo falou que o texto era um &#8220;Acordo de Copenhague Plus&#8221;. No fim das contas, não se chegou a um consenso, mais uma vez, sobre um texto. A chair vai apresentar um novo texto para a próxima sessão, que também acontecerá em Bonn, entre 2 e 6 de agosto. O Brasil declarou que quer, o mais rápido possível, entrar em modo de negociação com um texto para ser negociado linha por linha. Mas, para que isso aconteça, precisamos do texto, claro. E de foco. E de vontade política.</p>
<p style="text-align: justify; ">Vejam abaixo algumas fotos de hoje!</p>
<p style="text-align: center; "><a href="http://www.youtube.com/watch?v=t3pENUu2HSo"><img class="aligncenter size-full wp-image-9187" src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/06/PICT3739-horz.jpg" alt="" width="538" height="202" /></a></p>
<p style="text-align: center; "><a rel="attachment wp-att-9196" href="http://adoptanegotiator.org/2010/06/11/roubando-a-cena/dsc03615-2/"><img class="aligncenter size-large wp-image-9196" src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/06/yvo-copa-2-vert-285x1024.jpg" alt="" width="285" height="1024" /></a></p>
<p>Esse é meu último post direto de Bonn. Obrigada por me acompanharem!</p>
<p>Juliana</p>
<p>P.S.: Fui sorteada em primeiro lugar pelo Oráculo do Acordo Climático, que mencionei em um dos meus <a href="http://adoptanegotiator.org/2010/06/09/a-tal-da-vontade-politica/" target="_blank">posts</a> dessa semana. Ganhei um lindo urso panda de pelúcia, que é o símbolo do WWF, e está sendo cobiçado por muita gente. Respondi duas perguntas para o Oráculo: &#8220;quando você acha que vamos finalmente ter um acordo climático?&#8221; e &#8220;quando você acha que deveríamos ter um acordo climático?&#8221; Respondi 2011 e 2009. Espero que o Oráculo me ouça!</p>
<p style="text-align: center; "><a rel="attachment wp-att-9189" href="http://adoptanegotiator.org/2010/06/11/roubando-a-cena/dsc03533-horz/"><img class="aligncenter size-full wp-image-9189" src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/06/DSC03533-horz.jpg" alt="" width="555" height="202" /></a></p>
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		<title>Sobre sabotagem e procrastinação</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 22:44:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Russar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quem chegava hoje de manhã no hotel Maritim, onde acontecem as negociações de clima, era recebido por ativistas segurando uma faixa onde estava escrito "bonn polluters" (poluidores de Bonn)...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_9158" class="wp-caption aligncenter" style="width: 439px"><a rel="attachment wp-att-9158" href="http://adoptanegotiator.org/2010/06/10/sobre-sabotagem-e-procrastinacao/sinonimos/"><img class="size-full wp-image-9158 " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/06/sinonimos.jpg" alt="     " width="429" height="176" /></a><p class="wp-caption-text">     </p></div>
<p style="text-align: justify; ">Quem chegava hoje de manhã no hotel Maritim, onde acontecem as negociações de clima, era recebido por ativistas segurando uma faixa onde estava escrito &#8220;<strong>b</strong>onn <strong>p</strong>olluters&#8221; (poluidores de Bonn) e distribuindo um adesivo escrito &#8220;<strong>b</strong>onn <strong>p</strong>rocrastination&#8221;<em> </em>(procrastinação de Bonn), fazendo clara referência à British Petroleum (BP). Por ser a petrolífera responsável pela mais recente catástrofe ambiental envolvendo vazamento de petróleo, após a explosão e afundamento de uma de suas plataformas localizadas no Golfo do México, a empresa foi escolhida para <strong>evidenciar a atuação do setor petrolífero nas negociações</strong> da Convenção Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC). Desde o início, lobistas do setor circulam pelos corredores, evitando chamar atenção, e tem como porta-vozes os <strong>países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (</strong><a href="http://www.opec.org/opec_web/en/" target="_blank"><strong>OPEP</strong></a><strong>), que frequentemente sabotam um possível acordo</strong>. Dessa vez, não foi diferente.</p>
<p style="text-align: center; "><a rel="attachment wp-att-9161" href="http://adoptanegotiator.org/2010/06/10/sobre-sabotagem-e-procrastinacao/bp-bonn/"><img class="aligncenter size-large wp-image-9161" src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/06/bp-bonn-1024x299.jpg" alt="" width="614" height="179" /></a></p>
<p style="text-align: justify; ">Ontem, durante a reunião de encerramento do órgão da Convenção responsável por prestar assistência científica e tecnológica (SBSTA), não foi possível atingir consenso sobre o<a href="http://unfccc.int/files/meetings/application/pdf/sbsta32_provisional_agenda.pdf" target="_blank"> item 9 da agenda</a>, que trata dos aspectos cientifícos, tecnológicos e socioeconômicos da mitigação das mudanças climáticas. Os pequenos países insulares (<a href="http://www.sidsnet.org/aosis/" target="_blank">AOSIS</a>), com o apoio dos países menos desenvolvidos (LDCs) e União Europeia, entre outros (Austrália, Noruega, África do Sul), propuseram solicitar ao secretariado preparar um documento técnico sobre as opções para limitar o aumento médio da temperatura global em 1,5 e 2 graus centígrados.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong> </strong>A Arábia Saudita, apoiada pelo Kuwait, Qatar e Venezuela (pois é, nesse momento, o país esqueceu sua solidariedade com os países mais vulneráveis e vítimas dos capitalistas do Norte e lembrou que grande parte das receitas do seu PIB vem do petróleo), declarou-se contra a elaboração desse relatório, chegando até a sugerir que os países usassem o Google para saber mais sobre o assunto. Essa posição dos países da OPEP causou grande desconforto dentro do G77 (aliás, não entendo como um bloco que representa quase todos os países em desenvolvimento do planeta, de AOSIS a OPEC, pode ter uma posição conjunta sobre clima). Os países partiram para consultas informais, mas não conseguiram chegar em um consenso, provocando a suspensão da sessão para hoje.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong>A AOSIS  só estava pedindo que um relatório fosse elaborado, não que se adotasse um acordo para limitar o aumento da temperatura em 1,5 grau centígrado.</strong></p>
<p style="text-align: justify; "><strong> </strong>Hoje, a sessão foi retomada com a Venezuela falando que apoiava a elaboração do paper (lógico, sabia que seus colegas da OPEP iam bloquear de qualquer jeito). Em seguida, a Arábia Saudita falou que não ia adiantar nada continuar discutindo esse assunto porque não iam mudar de posição e propôs que essas discussões sejam retomadas em Cancún, durante a CoP-16, quando o SBSTA também se reúne. Barbados, pela AOSIS, perguntou <strong>por onde anda a solidariedade e fraternidade entre os países em desenvolvimento</strong> e disse que <strong>as negociações não são um jogo</strong> e a Bolívia perguntou como é possível que não sejam capazes nem mesmo de entrarem em consenso para elaborar um relatório.</p>
<p style="text-align: justify; ">Também gostaria de ver essas perguntas respondidas, bem como essa aqui: <strong>o que vai fazer os países da OPEP mudarem de posição daqui a seis meses?</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">No fim da tarde, Kuwait, Omã, Arábia Saudita e o Qatar ganharam o prêmio Fóssil do Dia, dado para os países que menos contribuíram para o avanço das negociações hoje.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/4n02Zx5h1tM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="385" src="http://www.youtube.com/v/4n02Zx5h1tM&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify; ">
<p style="text-align: justify; ">Posso ser linchada pelo que vou falar agora, mas vou falar do mesmo jeito, para criar polêmica. É muito fácil e simplista enxergar mocinhos e vilões nesse debate. Constantemente demonizamos os países cujas economias dependem da exploração de petróleo, sem parar para pensar nas consequências que a tal transição para uma economia de baixo carbono vai trazer para esses países. A maior parte da economia desses países gira em torno disso, portanto, é lógico e completamente legítimo que eles ocupem seus espaços em um fórum que está debatendo justamente um corte radical no uso de petróleo no mundo. O que não é aceitável, do meu ponto de vista, é que a Arábia Saudita (e outros países) se comporte como vítima das mudanças climáticas, sabote as negociações, como fez hoje, e não aceite sair do status quo, aceitando explorar outras fontes de recursos para sua economia. Isso é absurdo! Chegaram até a dizer, no sábado, que os combustíveis fósseis são vítimas das mudanças climáticas e constantemente manifestam que querem fazer parte dos fundos de adaptação porque, de acordo com eles, vão ter que se adaptar às mudanças climáticas tanto quanto os pequenos países insulares, países menos desenvolvidos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify; ">
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		<title>A tal da vontade política&#8230;</title>
		<link>http://adoptanegotiator.org/2010/06/09/a-tal-da-vontade-politica/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 Jun 2010 23:09:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Russar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou desde o começo da tarde pensando em como começar esse post porque a verdade é que não tem nada de novo para contar e eu também não quero escrever mais um texto reclamando sobre isso. É muito frustrante ver a falta de vontade política dos líderes mundiais (principalmente dos países desenvolvidos) para que as negociações [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; ">Estou desde o começo da tarde pensando em como começar esse post porque a verdade é que não tem nada de novo para contar e eu também não quero escrever mais um texto reclamando sobre isso. É muito frustrante ver a falta de vontade política dos líderes mundiais (principalmente dos países desenvolvidos) para que as negociações de clima avancem e, cada vez que viajo para acompanhar esse processo e não vejo nada de novo acontecendo, fico a pensar o que estou fazendo aqui, se vale a pena pegar voos longos e desconfortáveis, lutar contra o <em>jetlag</em>, dormir pouco, comer besteira, ficar longe das pessoas queridas e da minha bicicleta&#8230;</p>
<p style="text-align: justify; ">Apesar disso tudo me deixar muito triste e chateada, <strong>esse é o mundo real</strong>, infelizmente, e se quero mudar alguma coisa nele, vou continuar acompanhando as negociações e escrevendo para contar e denunciar, quando necessário, tudo o que acho lamentável. Faz quase dois anos (desde a CoP-14, em Poznan, Polônia, dezembro de 2008) que um texto de negociação é prometido. Cá estamos nós, em junho de 2010, e é muito provável que não haverá texto de negociação até sexta-feira, último dia de reunião em Bonn. E aí, faltarão apenas 9 dias de negociação até Cancún (CoP-16). <strong>Até um dia seria suficiente, se não faltasse vontade política</strong>.</p>
<p style="text-align: justify; ">
<div id="attachment_9179" class="wp-caption aligncenter" style="width: 420px"><a rel="attachment wp-att-9179" href="http://adoptanegotiator.org/2010/06/09/a-tal-da-vontade-politica/dsc03533/"><img class="size-large wp-image-9179 " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/06/DSC03533-684x1024.jpg" alt="&quot;Ó Oráculo, diga-me quando teremos um acordo climático&quot; (Photo: Florent Baarsch)" width="410" height="614" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Ó Oráculo, diga-me quando teremos um acordo climático&quot; (Photo: Florent Baarsch)</p></div>
<p style="text-align: justify; ">No meu primeiro dia aqui, li um press release que foi espalhado de propósito por todo o hotel<br />
Maritim, onde acontece a reunião, que achei muito interessante e criativo. Ele é assinado por uma organização cha<em><span style="font-style: normal;">mada</span> Moonsoon International. </em>A seguir, a íntegra do release traduzido por mim para o português. Vale a pena ler e refletir!</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify; "><strong><span style="color: #888888;">MoonSoon International </span></strong></p>
<p style="text-align: justify; "><span style="color: #888888;">Press release</span></p>
<p style="text-align: justify; "><span style="color: #888888;">17 de dezembro de 2128</span></p>
<p style="text-align: justify; "><strong><span style="color: #888888;">CoP-134 lunar chega em um acordo para a evacuação global</span></strong></p>
<p style="text-align: justify; "><span style="color: #888888;">O acordo de evacuação global fechado hoje durante a dramática sessão plenária de encerramento da CoP134 significa um grande impulso aos esforços interplanetários de reforma da carta das Nações Reunidas, diz a Moonsoon Internacional. O grupo de justiça cósmica comemorou a decisão histórica de formar um novo Conselho de Segurança que reúne territórios soberanos no planeta Terra e na Lua.</span></p>
<p style="text-align: justify; "><span style="color: #888888;">&#8220;Finalmente há esperança para os 3,7 bilhões de habitantes restantes do que deveria agora ser chamado de planeta muito azul, considerando todas as enchentes dos últimos anos&#8221;, disse Kirk de Boer, estrategista de resgate em massa da Moonsoon Internacional. &#8220;Durante as próximas décadas, eles finalmente vão ser capazes de deixar suas ilhas no Oceano Pacifilâtico e morar na bacia de poeira do outro lado da Lua&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify; "><span style="color: #888888;">O acordo no </span><em><span style="color: #888888;">New-Kyoto Convention Center</span></em><span style="color: #888888;">, em </span><em><span style="color: #888888;">West Sinus Asperitatis</span></em><span style="color: #888888;"> na Região Equatorial Lunar foi negociado nas últimas horas da CoP134. Observadores da sociedade alienígena ovacionaram quando os negociadores finalmente aceitaram as recomendações do Painel Intergalático sobre Mudanças Cósmicas (IPCC) para evacuar todos os terráqueos restantes antes de seu quadragésimo aniversário e para voltar a repor o Fundo Global de Evacuação (GEF).</span></p>
<p style="text-align: justify; "><span style="color: #888888;">&#8220;Os novos chefes de Estado dos países da União Lunática devem cumprir as promessas feitas em financiamento de início rápido para a cooperação de tecnologia para as naves espaciais&#8221;, disse Nasa Figueres, uma ativista da Moonsoon International. &#8220;Eles têm que evitar a reserva dupla de assentos e garantir que todos os voos que estão amparados pelo novo acordo sejam realmente adicionais aos bilhetes subsidiados para  voos humanitários espaciais&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify; "><span style="color: #888888;">A Moonsoon Internacional advertiu que os direitos dos povos originalmente indígenas no acordo de Evacuação Rápida de Habitações Degradadas (REDD) precisa ser reforçado. O grupo disse que os padrões sub0rbitais não foram suficientes para impedir a perigosa brecha que poderia permitir que pessoas irresponsáveis permanecessem na Terra.</span></p>
<p style="text-align: justify; "><span style="color: #888888; ">&#8220;Com a temperatura média global 13,6 graus centígrados acima dos níveis pré-habitáveis, a evacuação completa da Terra é agora obrigatória e não opcional&#8221;, disse Ashe Spock , especialista em refrigeração urbana da Moonsoon International. &#8220;As falhas do sistema recente no Fridgistão do Norte e o colapso completo de New Freezeland ressaltam como os acordos de hoje são oportunos&#8221;.</span></p>
<p style="text-align: justify; "><span style="color: #888888;">O grupo ressaltou que os esforços de evacuação devem concentrar-se em humanos, já que todos os animais selvagens restantes na Terra no final do século passado já foram reproduzidos na Lua, graças à campanha Flora e Fauna 2.0 das Nações Reunidas. Segundo a edição de 2127 da Lista Vermelha, todas as 132 espécies de plantas, bem como as 67 espécies de animais já foram cultivados com sucesso.&#8221;</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify; padding-left: 30px; ">
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 163px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">&#8220;Com a temperatura média global em 13,6 acima dos níveis pré-habitáveis, a evacuação completa da Terra é agora obrigatória e não opcional&#8221;, disse Spock Ashe, especialista em refrigeração urbana Moonsoon International. &#8220;As falhas do sistema recente no Norte Fridgistan eo colapso complet de Nova Freezeland oportuno destacar como os acordos de hoje são&#8221;.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 163px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">O grupo ressaltou que os esforços de evacuação devem centrar-se em humanos, como todos os animais selvagens deixou na Terra no final do século passado já havia sido reproduzida na Lua, graças à campanha das Nações Reunited Flora e Fauna 2.0. Segundo a edição de 2127 da Lista Vermelha, todas as espécies de 132 plantas, bem como as 67 espécies de animais já foram cultivados com sucesso.&#8221;</div>
<p>Na verdade, esse release foi espalhado pelo <a href="http://www.panda.org/" target="_blank">WWF</a>. Durante essa semana, estão pedindo para as pessoas preencherem uma cédula assinalando quando elas acham que vai sair um acordo climático. E você? Quando acha que isso vai acontecer?</p>
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		<title>Florestas ameaçadas dos 2 lados do Atlântico: Código Florestal e LULUCF</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Jun 2010 18:34:10 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Protocolo de Quioto]]></category>
		<category><![CDATA[UN]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, do outro lado do Atlântico, há grande expectativa em torno da apresentação do relatório que propõe  alterações no Código Florestal. Nesse lado, um dos assuntos que tem recebido muita atenção na primeira semana dessa rodada de negociações de clima é o papel da proteção das florestas nos esforços de redução de emissões de gases de efeito estufa dos países desenvolvidos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_8958" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-8958" href="http://adoptanegotiator.org/2010/06/08/florestas-ameacadas/arvore/"><img class="size-full wp-image-8958" src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/06/arvore.jpg" alt="arvore" width="300" height="269" /></a><p class="wp-caption-text">Florestas ameaçadas dos dois lados do Atlântico</p></div>
<p style="text-align: justify; ">Hoje, do outro lado do Atlântico, há grande expectativa e pessimismo em torno da reunião da Comissão Especial para a Reforma do Código Florestal Brasileiro, que acontecerá na Câmara dos Deputados, onde será apresentado um conjunto de propostas para alteração do <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L4771.htm" target="_blank">Código Florestal</a>. O relatório foi elaborado pelo deputado <a href="http://twitter.com/aldoRebelo" target="_blank">Aldo Rebelo</a> (PCdoB),que acredita em conspirações de ONGs internacionais para prejudicar o desenvolvimento do país (?????) (e  recentemente descobri que também <a href="http://www.aldorebelo.com.br/" target="_blank">contesta</a> o aquecimento global)  e é apoiado pela bancada ruralista, que representa um setor da sociedade que defende a alteração (ou, como dizem, a &#8220;flexibilização&#8221;) de uma lei que até hoje não foi capaz de cumprir por terem uma visão completamente equivocada e ultrapassada de que o meio ambiente é inimigo do agronegócio e, portanto, as  áreas de proteção permanente (margens de cursos d&#8217;água, encostas, topos de morros) e a reserva legal não tem importância alguma e devem ser destinadas à produção agrícola. Eles simplesmente ignoram o fato das florestas serem fundamentais para a manutenção do estoque de carbono e regulação do clima; provimento de água; polinização e aumento da produtividade agrícola; controle de cheias e da erosão. Para informações qualificadas e confiáveis sobre o assunto, vale a pena consultar o site <a href="http://www.sosflorestas.com.br/dia-a-dia.php" target="_blank">SOS Florestas</a> e o site da campanha <a href="http://www.sosma.org.br/exterminadores/lista.php" target="_blank">Exterminadores do Futuro</a> da SOS Mata Atlântica.</p>
<p style="text-align: justify; "><em>Atualização (08/06/2010 &#8211; 23h): Veja comentários </em><em>sobre o relatório </em><em>no twitter de<a href="http://www.twitter.com/acb040" target="_blank"> Ana Cristina Barros</a> (</em><em>The Nature Conservancy), <a href="http://twitter.com/andretrig" target="_blank">André Trigueiro</a>, <a href="http://twitter.com/brenda_brito" target="_blank">Brenda Brito</a> (Imazon), <a href="http://twitter.com/brunocalixto" target="_blank">Bruno Calixto</a> (<a href="http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=357161" target="_blank">Amazonia.org</a>), <a href="http://twitter.com/cristinaamorim" target="_blank">Cristina Amorim</a>, <a href="http://twitter.com/paulogbarreto" target="_blank">Paulo Barreto</a></em><em> (Imazon), <a href="http://twitter.com/robertosmeraldi" target="_blank">Roberto Smeraldi</a> </em><em>(Amigos da Terra &#8211; Amazônia Brasileira), <a href="http://twitter.com/sarneyfilho" target="_blank">Deputado Sarney Filho</a></em><em> (PV-MA) e <a href="http://www.twitter.com/GreenpeaceBR" target="_blank">Greenpeace</a>.</em></p>
<p style="text-align: justify; "><em>Atualização 2 (09/06/2010 &#8211; 13h): Veja <a href="http://www.aldorebelo.com.br/admin/noticias/uploads/relatorio_final.pdf" target="_blank">relatório</a> do deputado Aldo Rebelo, com dedicatória aos agricultores brasileiros.</em></p>
<p style="text-align: justify; "><em>Atualização 3 (09/06/2010 &#8211; 16h): Veja o ótimo <a href="http://www.andrelima2010.com.br/wordpress/?p=168" target="_blank">artigo</a></em><em> de André Lima, coordenador de Políticas Públicas do IPAM </em></p>
<p style="text-align: justify; ">Também no meu lado (temporariamente) do Atlântico, um dos assuntos que recebeu muita atenção na primeira semana dessa rodada de negociações de clima e continua causando polêmica  é o papel da proteção das florestas nos esforços de redução de emissões de gases de efeito estufa dos países desenvolvidos (Anexo 1) por meio de um mecanismo chamado LULUCF (Land Use, Lande Use Change and Forests/Uso da terra, mudança no uso da terra e florestas), cujas regras estão em discussão no âmbito do Protocolo de Quioto.</p>
<p style="text-align: justify; ">Acontece que alguns países, apesar de estarem participando de uma negociação para &#8220;<a href="http://www.onu-brasil.org.br/doc_clima.php" target="_blank">alcançar a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema climático</a>&#8220;, parecem ter esquecido disso e simplesmente apresentaram uma proposta que deixa brechas na contabilização de redução de emissões, permitindo, ao contrário, que suas emissões de desmatamento aumentem anualmente em 400 Mt CO2 (para ter uma ideia, esse valor é equivalente às emissões anuais da Espanha). Repetindo: o objetivo dessas discussões é que os países cheguem num acordo para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa!</p>
<p style="text-align: justify; ">Quem está por trás dessa proposta vergonhosa? Alemanha, Áustria, Austrália, Espanha, Finlândia, Japão, Nova Zelândia e Suécia. A trapaça aconteceria quando os países fossem elaborar a projeção do aumento das suas emissões. Do jeito que as regras estão, eles poderiam inflacionar essa projeção e ter uma linha de base mais alta, escondendo suas emissões, sem nenhuma penalidade e sem ninguém saber.</p>
<p style="text-align: justify; ">Felizmente, observadores atentos da sociedade civil e outros países perceberam as falhas dessa proposta e reagiram. Na sexta-feira, a <a href="http://www.comifac.org/" target="_blank">Comissão das Florestas da África Central (COMIFAC)</a> destacou as <span>discrepâncias entre o rigor das regras que estão sendo discutidas para os países em desenvolvimento na redução do desmatamento e as regras para os países desenvolvidos e que essas brechas </span>precisam desaparecer.</p>
<p style="text-align: justify; ">No sábado, o G77+China, grupo que representa a maior parte dos países em desenvolvimento, propôs que as linhas de base de redução de emissões florestais apresentadas por um país sejam revisadas por um especialista independente. A linha de base seria corrigida se essa terceira parte comprovasse sua falsidade. O G77+China também propôs o estabelecimento de um teto nos créditos que um país pode receber da redução de emissões florestais.</p>
<p style="text-align: justify; ">As negociações sobre o assunto continuam e acontecem em sessões informais, que são fechadas para observadores.</p>
<p style="text-align: justify; ">Hoje, os jovens (youth) organizaram uma ação muito legal sobre isso. Veja as fotos a seguir:</p>
<div id="attachment_8937" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a rel="attachment wp-att-8937" href="http://adoptanegotiator.org/2010/06/08/florestas-ameacadas/pict3657/"><img class="size-large wp-image-8937 " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/06/PICT3657-1024x768.jpg" alt="     " width="614" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">     </p></div>
<div id="attachment_8942" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a rel="attachment wp-att-8942" href="http://adoptanegotiator.org/2010/06/08/florestas-ameacadas/pict3659/"><img class="size-large wp-image-8942 " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/06/PICT3659-1024x768.jpg" alt="   " width="614" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">   </p></div>
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		<title>Pegando o trem e sentando na janelinha</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 01:14:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Russar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No dia 31 de maio, segunda-feira passada, teve início mais uma rodada de negociações de clima, em Bonn,  Alemanha. Cerca de 4 mil pessoas circulam pelos corredores e ocupam as salas de reunião do hotel Maritim. Como deu para notar pela ausência de posts, só cheguei na cidade esse fim de semana...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; ">No dia 31 de maio, segunda-feira passada, teve início mais uma rodada de negociações de clima, em Bonn,  Alemanha, onde está sediada a  <a href="http://unfccc.int/2860.php" target="_blank">Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC)</a>. Cerca de <a href="http://unfccc.int/resource/docs/2010/sb/eng/misc01.pdf" target="_blank">4 mil pessoas</a> circulam pelos corredores e ocupam as salas de reunião do hotel Maritim. Como deu para notar pela ausência de posts, só cheguei na cidade esse fim de semana e, passada aquela sensação de chegar em um lugar onde as pessoas estão em um ritmo de trabalho completamente diferente do seu (daí o título e a foto infame do post) e tentando me acostumar com um amanhecer às 4 horas da manhã e um anoitecer às 22h, cá estou eu mais uma vez para mantê-los atualizados sobre as negociações climáticas.</p>
<p style="text-align: justify; ">Antes que embarque nesse trem comigo, farei  uma pequena recapitulação dos fatos mais relevantes que aconteceram depois de abril, quando ocorreu o último encontro, para que você, meu querido leitor, não se sinta tão perdido e consiga achar um lugar perto da janelinha logo.</p>
<div id="attachment_8828" class="wp-caption aligncenter" style="width: 255px"><a rel="attachment wp-att-8828" href="http://adoptanegotiator.org/2010/06/07/pegando-o-trem-e-sentando-na-janelinha/trem/"><img class="size-full wp-image-8828 " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/06/trem.jpg" alt="Embarque em mais uma viagem comigo nesse longuíssimo caminho até um acordo justo, ambicioso e legalmente vinculante" width="245" height="260" /></a><p class="wp-caption-text">Embarque em mais uma viagem comigo nesse longuíssimo, porém finito (assim esperamos), caminho até um acordo justo, ambicioso e legalmente vinculante</p></div>
<p style="text-align: center; ">
<p style="text-align: justify; ">A reunião de três dias, em abril, também em Bonn teve o objetivo de discutir a metodologia de trabalho para 2010 e acabaram decidindo por mais dois encontros entre Bonn 2 (esse encontro) e a CoP-16, que acontecerá no fim de novembro, em Cancún, México. Já se sabe que o próximo encontro acontecerá entre os dias 2 e 6 de agosto, novamente em Bonn. Além disso, em Bonn 1, após toda a lavagem de roupa suja de Copenhague, os países decidiram que a nova coordenadora (chair) do grupo de trabalho sobre ação de cooperação de longo prazo (AWG-LCA)  elaboraria um novo texto de negociação com base no relatório apresentado por esse grupo durante a CoP-15, bem como nas decisões da  CoP, o que implicitamente inclui o famigerado Acordo de Copenhague. A chair apresentou um <a href="http://unfccc.int/resource/docs/2010/awglca10/eng/06.pdf" target="_blank">novo texto</a> de 42 páginas para facilitar as negociações no dia 17 de maio, conforme acordado (lembrando que, no ano passado, o texto chegou em Copenhague com cerca de 200 páginas).  Até o momento, por incrível que pareça, o documento não foi motivo de nenhuma controvérsia, mesmo porque as partes mais sensíveis, como as metas de redução de emissões,  permanecem entre colchetes por falta de consenso, com algumas sugestões de texto esboçadas pela chair.</p>
<p style="text-align: justify; ">Outro acontecimento relevante foi a <a href="http://cmpcc.org/" target="_blank">Conferência dos Povos sobre Mudanças Climáticas e Direitos da Mãe Terra</a>, que aconteceu em Cochabamba, Bolívia, na segunda quinzena de abril. Contrariando as expectativas, mais de 35 mil pessoas de 140 países participaram do evento recheado de discussões bastante heterodoxas, como: a dívida climática dos países desenvolvidos; os direitos da Mãe Terra; um referendo global sobre mudanças climáticas; perigos do mercado de carbono; refugiados climáticos; adaptação; redução de emissões e criação de um tribunal de justiça climática. Como resultado da Conferência, foram publicados o <a href="http://cmpcc.org/2010/04/24/acuerdo-de-los-pueblos/#more-1757" target="_blank">Acordo de Cochabamba</a>, que demanda um aumento da temperatura média global de no máximo um grau centígrado, e um projeto de <a href="http://cmpcc.org/2010/04/24/conclusiones-finales-grupo-de-trabajo-3-derechos-de-la-madre-tierra/#more-1816" target="_blank">Declaração Universal dos Direitos da Mãe Terra</a>, que foram <a href="http://unfccc.int/resource/docs/2010/awglca10/eng/misc02.pdf" target="_blank">submetidos</a> (ver páginas 30-39) à Convenção de Clima pelo país anfitrião da conferência. Acho muito interessante essa iniciativa e totalmente legítima, mas, sendo muito pragmática, minha preocupação é que o abismo entre as demandas de alguns governos de países em desenvolvimento e  ONGS e a contrapartida oferecida pelos países desenvolvidos é cada vez maior. Não estou falando de jeito nenhum que temos que aceitar as posições e ofertas vergonhosas dos países desenvolvidos, mas lembro que precisamos de consenso para qualquer acordo ser atingido na UNFCCC.  Temos que chegar num meio-termo e, sendo idealista, que puxe para o lado da Bolívia.</p>
<p style="text-align: justify; ">Além disso, após muitas especulações, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon apontou a costa-riquenha <a href="http://www.cleanskies.com/videos/new-unfccc-chief-christiana-figueres-discusses-future-climate-change" target="_blank">Christiana Figueres</a> como nova secretária-executiva da UNFCCC, no lugar de Yvo de Boer, a partir de julho. Para ser sincera, não tenho muito a dizer sobre ela, por não conhecer seu trabalho, mas acho positivo que uma pessoa de um país em desenvolvimento, ainda mais uma mulher, tenha sido escolhida. Ontem, na tradicional festa das ONGs, que acontece sempre nos sábados entre uma semana e outra (e eu quase nunca vou&#8230;), as organizações observadoras homenagearam o Yvo de Boer. Vale a pena assistir os <a href="http://adoptanegotiator.org/2010/06/06/a-song-for-yvos-farewell/" target="_blank">vídeos</a> e prestar atenção na letra da música!</p>
<p style="text-align: justify; ">Finalmente, no dia 27 de maio, foi estabelecida, em Oslo, Noruega, uma parceria interina de REDD+ (redução de emissões de desmatamento e degradação florestal, papel da conservação, do manejo sustentável das florestas e do aumento dos estoques de carbono das florestas nos países em desenvolvimento) por cerca de 50 países com o objetivo de criar uma estrutura voluntária para acelerar as ações de REDD+enquanto as negociações sobre o tema no âmbito da UNFCCC não são concluídas. Essa é uma das consequências da demora em se conseguir um acordo: outras iniciativas paralelas vão pipocando e a UNFCCC, o espaço legítimo para discutir e produzir decisões sobre o tema, acaba perdendo espaço.</p>
<p style="text-align: justify; ">Terminada minha breve recapitulação, vamos ao que interessa: qual é a agenda dessa reunião de duas semanas (agora restando uma) em Bonn?</p>
<p>Na verdade, quatro reuniões estão acontecendo paralelamente no mesmo lugar:</p>
<ol>
<li style="text-align: justify; ">A 10a. sessão do AWG-LCA, Grupo de Trabalho Ad Hoc para Ação de Cooperação de Longo Prazo, que foi criado pelo Plano de Ação de Bali (CoP-13)e se reúne desde março de 2008. Esse grupo está reunido em Bonn para preparar um resultado a ser apresentado para a CoP-16 com o objetivo de que seja adotado pela Conferência das Partes, possibilitando, assim, a implementação plena, efetiva e contínua da Convenção por meio de ação cooperativa de longo prazo.</li>
<li style="text-align: justify; ">A 12a. sessão do AWG-KP, Grupo de Trabalho Ad Hoc sobre Novos Compromissos para Países do Anexo I do Protocolo de Quioto, que se reúne desde maio de 2006 e por quatro anos tem discutido justamente o aprofundamento dos compromissos dos países desenvolvidos que fazem parte do Protocolo (os Estados Unidos não ratificaram Quioto).</li>
<li style="text-align: justify; ">A 32a. sessão do Órgão Subsidiário de Assessoramento Científico e Tecnológico (SBSTA) da UNFCCC, que acontece duas vezes por ano. Para ver a agenda detalhada do SBSTA, clique <a href="http://unfccc.int/files/meetings/application/pdf/sbsta32_provisional_agenda.pdf" target="_blank">aqui</a></li>
<li style="text-align: justify; ">A A 32a. sessão do Órgão Subsidiário de Implementação (SBI) da UNFCCC, que também acontece duas vezes por ano. Para ver a agenda completa do SBI, clique <a href="http://unfccc.int/files/meetings/application/pdf/sbi32_provisional_agenda.pdf" target="_blank">aqui</a></li>
</ol>
<p style="text-align: justify; ">Por hoje é só, pessoal. Amanhã conto com mais detalhes o que está acontecendo por aqui.</p>
<p>Boa semana para todos!</p>
<p>Juliana</p>
<p style="text-align: justify; ">
<p style="text-align: justify; ">
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<p style="text-align: justify; ">
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		<title>Domingo perdido&#8230;mas é só o domingo?</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2010 19:44:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Russar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Os países passaram o dia em consultas informais tentando elaborar uma nova versão daquele texto de meia página que mencionei ontem para ser apresentado na plenária final do AWG-LCA como sua decisão sobre "Organização e métodos de trabalho em 2010". ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; ">São <strong>19h</strong> e, de acordo com a programação da reunião, uma sessão que deveria ter início às <strong>11h30</strong> só está começando agora. Os países passaram o dia em consultas informais tentando elaborar uma nova versão daquele <strong>texto de meia página</strong> que mencionei <a href="http://adoptanegotiator.org/2010/04/10/baixando-a-poeira/" target="_blank">ontem</a> para ser apresentado na <strong>plenária final</strong> do <strong>AWG-LCA</strong> como sua decisão sobre &#8220;<strong>Organização e métodos de trabalho em 2010</strong>&#8220;. Permanece em aberto ainda a <strong>inclusão</strong> do <strong>Acordo de Copenhague</strong> ou não no texto que a Chair vai preparar até junho para facilitar o andamento das negociações. Isto é, se a Chair receber o <strong>mandato</strong> para executar essa tarefa ou não, o que também permanece pendente. Além disso, o<strong> número</strong> de encontros que acontecerão até a CoP-16 ainda não está definido. Os países-parte da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima realmente acham que vão chegar a algum lugar <strong>após três dias</strong> sem conseguir sair com uma decisão que trata sobre o processo? Lembremos que o objetivo desse final de semana não era tão ambicioso, bastava apenas organizarem a agenda para o resto do ano. Mesmo assim, é <strong>complicado</strong>! Agora são 20h50 e nada foi decidido! Pelo contrário, já pediram para colocar colchetes nos parágrafos sem consenso e seguem repetindo o que falaram durante o encontro inteiro. Para perceber o nível da sessão, várias vezes a plenária caiu na risada com as picuinhas e a <strong>situação ridícula</strong> em que se colocaram.</p>
<p style="text-align: justify; ">No trilho do <strong>Protocolo de Quioto</strong>, foi sugerido que seja elaborada uma <strong>avaliação técnica</strong> das promessas de redução de emissões feitas pelos países desenvolvidos (Anexo B) e seus impactos. No entanto, <strong>Rússia e Japão</strong> estão bloqueando a realização desse trabalho talvez porque não queiram que se torne oficial o que todo mundo já sabe: as submissões feitas pelos países ricos não são nem um pouco consistentes com os cortes de redução de emissões de gases de efeito estufa recomendados pelos estudos científicos mais recentes (manter o aumento da temperatura média da Terra abaixo dos 2 graus centígrados). É o que estão chamando de<strong> gigatonne gap</strong>. Por causa dessa posição, os dois países receberam o prêmio <strong>Fóssil do Dia</strong>, um prêmio dado para os países que mais atrapalham as negociações.</p>
<p style="text-align: justify; ">É, foi um <strong>domingo perdido</strong>. É ainda mais frustrante perceber que não só o dia de hoje foi perdido. Fica cada vez mais difícil acreditar que um dia negociadores de mais de 190 países vão deixar essas picuinhas de lado e começar a priorizar o <strong>futuro dos seres humanos</strong> que estão aqui representando.</p>
<p style="text-align: justify; ">Segue abaixo fotos do domingo em Bonn.</p>
<div id="attachment_8332" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a rel="attachment wp-att-8332" href="http://adoptanegotiator.org/2010/04/11/domingo-perdido-mas-e-so-o-domingo/pict3485-2/"><img class="size-large wp-image-8332 " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/04/PICT34851-1024x768.jpg" alt="Domingo de sol..." width="614" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">Domingo de sol...</p></div>
<div id="attachment_8333" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a rel="attachment wp-att-8333" href="http://adoptanegotiator.org/2010/04/11/domingo-perdido-mas-e-so-o-domingo/pict3490-2/"><img class="size-large wp-image-8333 " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/04/PICT34901-1024x768.jpg" alt="Plenária do AWG-LCA adiada" width="614" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">Plenária do AWG-LCA adiada</p></div>
<div id="attachment_8331" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a rel="attachment wp-att-8331" href="http://adoptanegotiator.org/2010/04/11/domingo-perdido-mas-e-so-o-domingo/pict3491/"><img class="size-large wp-image-8331  " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/04/PICT3491-1024x768.jpg" alt="Essa tela me lembra algum evento não tão distante no passado" width="614" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">Essa tela me lembra algum evento não tão distante no passado</p></div>
<div id="attachment_8334" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a rel="attachment wp-att-8334" href="http://adoptanegotiator.org/2010/04/11/domingo-perdido-mas-e-so-o-domingo/pict3493/"><img class="size-large wp-image-8334 " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/04/PICT3493-1024x768.jpg" alt="Yvo de Boer esperando alguma coisa acontecer" width="614" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">Yvo de Boer esperando a sessão começar </p></div>
<div id="attachment_8340" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a href="http://adoptanegotiator.org/2010/04/11/sitting-waiting-wishing/"><img class="size-large wp-image-8340 " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/04/PICT34971-1024x768.jpg" alt="Sitting, waiting, wishing" width="614" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">Sitting, waiting, wishing (and trying to stay sane)</p></div>
<div id="attachment_8342" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a rel="attachment wp-att-8342" href="http://adoptanegotiator.org/2010/04/11/domingo-perdido-mas-e-so-o-domingo/pict3502/"><img class="size-large wp-image-8342 " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/04/PICT3502-1024x768.jpg" alt="Após 7 horas, começa a sessão do AWG-LCA" width="614" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">Após quase 7 horas de atraso, começa a sessão do AWG-LCA </p></div>
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		<title>Baixando a poeira</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 22:05:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Russar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O clima é muito diferente do de Copenhague: centro de conferência super pequeno, segurança menos rigorosa, número reduzido de participantes, pessoas mais calmas andando pelos corredores, céu azul e um sofá meio excêntrico no meio do lobby para relaxar... No entanto, é só entrar em alguma sala de negociação para perceber que o clima continua tenso. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está chegando ao fim o segundo dia das negociações de clima em Bonn, Alemanha. O clima é muito diferente do de Copenhague: centro de conferência (na verdade, um hotel) super pequeno, segurança menos rigorosa, número reduzido de participantes, pessoas mais calmas andando pelos corredores, céu azul e um sofá meio excêntrico no meio do lobby para relaxar&#8230; No entanto, é só entrar em alguma sala de negociação para perceber que o clima continua tenso. Por exemplo, hoje assisti a plenária informal do AWG-LCA (ação cooperativa de longo prazo) sobre “Organização e métodos de trabalho em 2010”. Definir a agenda para o resto do ano parece ser algo BEM menos complexo do que definir metas; ano-base; ano-pico de emissões; governança, quantidade, origem  de recursos financeiros para combater as mudanças climáticas, não é mesmo?</p>
<div id="attachment_8228" class="wp-caption aligncenter" style="width: 501px"><a rel="attachment wp-att-8228" href="http://adoptanegotiator.org/2010/04/10/baixando-a-poeira/pict3468/"><img class="size-large wp-image-8228  " src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2010/04/PICT3468-1024x768.jpg" alt="Mexico feelings?" width="491" height="369" /></a><p class="wp-caption-text">Mexico feelings?</p></div>
<p style="text-align: justify; ">Pois então, hoje pela manhã, durante três horas, os países-parte da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima ficaram discutindo sobre o documento também entitulado “Organização e métodos de trabalho de 2010” proposto pela nova chair Margaret Mukahanana-Sangarwe (Zimbábue). Detalhe: o texto ocupa MEIA PÁGINA.</p>
<p style="text-align: justify; ">Basicamente a sessão girou em torno dos parágrafo 5 e 6 que diziam (antes e depois dessa sessão):</p>
<table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td width="288" valign="top">
<p align="center">Versão de 9 de abril – 21h</p>
</td>
<td width="288" valign="top">
<p align="center">Versão 10 de abril – 16h</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="288" valign="top">
<p style="text-align: justify; ">5. O AWG-LCA concorda ainda que o grupo de contato irá utilizar no   seu trabalho os métodos de trabalho que estão em consonância com os   princípios e práticas das Nações Unidas e permitir negociações inclusivas,   transparentes e eficazes a serem realizadas. Ele pediu que sua Chair consulte regularmente grupos de negociação   sobre como isso pode ser alcançado.</p>
</td>
<td width="288" valign="top">
<p style="text-align: justify; ">5. O AWG-LCA convidou sua chair para   facilitar as negociações entre as partes, mediante a preparação, sob sua   própria responsabilidade, dos textos para apreciação das partes. O primeiro   desses textos devem estar disponíveis duas semanas antes da décima sessão do   AWG-LCA, baseados no relatório do AWG-LCA apresentada à CoP na sua décima   quinta sessão, bem como trabalhos desenvolvidos pela COP com base naquele   relatório e levar em conta as decisões tomadas pela CoP na sua décima quinta   sessão, bem como pontos de vista expressos pelas Partes na presente sessão do   AWG-LCA.</p>
</td>
</tr>
<tr>
<td width="288" valign="top">
<p style="text-align: justify; ">6. O AWG-LCA convidou sua chair para   facilitar as negociações entre as partes através da preparação de documentos apropriados,   incluindo um rascunho de texto de negociação. O primeiro desses documentos   deve ser disponibilizado duas semanas antes da décima sessão do AWG-LCA, e:   (a) deve se basear nos textos contidos no relatório do AWG-LCA, na sua oitava   sessão, bem como no trabalho realizado pela COP em sua décima quinta sessão,   (b) não deve representar texto de consenso.</p>
</td>
<td width="288" valign="top">
<p style="text-align: justify; ">6. O AWG-LCA convidou sua chair a   propor, por meio de suas observações de cenário, marcos para cada sessão do   AWG-LCA.</p>
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify; ">Não querendo soar repetitiva, mas a discussão aqui gira em torno da restauração da confiança, transparência, inclusão. O que fazer com o Copenhagen Accord (CA)? Quais são as implicações dele constar em um decisão da CoP-15, mesmo que na decisão apenas esteja escrito: “A Conferência das Partes tomou nota do Acordo de Copenhague de 18 de dezembro de 2009”? Para países como o Brasil (<a href="http://unfccc.int/files/meetings/application/pdf/brazilcphaccord_app2.pdf" target="_blank">link 1</a> e <a href="http://maindb.unfccc.int/library/view_pdf.pl?url=http://unfccc.int/resource/docs/2010/awglca9/eng/misc01.pdf&amp;page=11" target="_blank">link 2</a>), o conteúdo desse acordo, se incorporado nos 2 trilhos  (que são os únicos fóruns legítimos de negociação), pode facilitar a conclusão de seus trabalhos, ou seja, a adoção de uma decisão sobre o segundo período de compromisso de Protocolo de Quioto e o cumprimento do Plano de Ação de Bali na CoP-16. Para outros, como Venezuela, é inaceitável que a incorporação do CA aconteça. Além disso, a maioria dos países e também a sociedade civil apoiam que a chair receba mandato para produzir um texto de negociação para a rodada de junho. É claro que esse texto não vai sair da cabeça dela, vai ser feito com base nos textos existentes, incluindo o CA.</p>
<p style="text-align: justify; ">Diante desse quadro, é pouco provável que um acordo legalmente vinculante saia de Cancún (CoP-16), mas acredito que as negociações possam avançar bastante até lá, principalmente em temas como REDD, financiamento, transferência de tecnologia e adaptação.</p>
<p style="text-align: justify; ">É difícil reconquistar a confiança de alguém e voltar a acreditar em uma relação, mas uma comunhão celebrada há mais de quinze anos não pode ser tão frágil assim&#8230; Se até o momento sobreviveu com todas suas manias (o que dizer da Arábia Saudita mau-caráter, da Austrália sabotadora e dos Estados Unidos impotente e chantageador?), por que vai ser agora que tudo vai desmoronar? Vamos deixar baixar a poeira e, aos poucos, tenho certeza que tudo volta a entrar nos eixos, ou melhor, nos dois trilhos. Quem sabe até o fim do ano, no México, o clima dessa relação não tenha esquentado um pouco?</p>
]]></content:encoded>
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		<title>2010 + negociações de clima = mais do mesmo?</title>
		<link>http://adoptanegotiator.org/2010/04/09/2010-convencao-do-clima-mais-do-mesmo/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Apr 2010 18:51:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Russar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Precisamos tirar lições dos acontecimentos de dezembro e mudar nossas estratégias sem esquecer, claro, que o senso de urgência não pode ser esquecido de maneira alguma. Este é o momento que temos para reconquistar a confiança dos países em desenvolvimento. A reunião de Bonn não trará muitas novidades em termos de conteúdo e anúncios, infelizmente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; ">O post ficou longo de novo, se não tiver paciência de ler tudo de uma vez, o texto está dividido em partes.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong>Previously on Adopt a negotiator…</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">Para falar sobre o pós-Copenhague, vou voltar para a fatídica sexta-feira, 18 de dezembro de 2009, último dia da CoP-15, que acabou se estendendo até sábado à tarde. Apenas 300 representantes da sociedade civil foram autorizados a entrar no Bella Center naquele dia. Eu não estava entre eles, então fiquei acompanhando pela TV, webcast, e-mail e twitter o que acontecia lá dentro, mas nem quem estava no centro de conferência conseguia obter informações. Resumindo (quem quiser mais detalhes pode ler meus posts anteriores): um “acordo” foi feito na surdina e boatos corriam solto por Copenhague. O mínimo de esperança que restava sobre o sucesso da Conferência desapareceu. Todo o processo de dois anos de negociações no âmbito das Nações Unidas, marcado pela transparência e por considerar todos os países igualmente, foi atropelado pela reunião de cúpula dos líderes mundiais da onde saiu o tal “<a href="http://unfccc.int/resource/docs/2009/cop15/eng/11a01.pdf#page=4" target="_blank">Copenhagen Accord</a>”, uma DECLARAÇÃO POLÍTICA (não se deixem enganar pelo nome do documento) de 5 páginas, sendo que 2 são tabelas EM BRANCO para os países preencherem as colunas com seus nomes, redução de emissões até 2020 e ano-base (para os países desenvolvidos, também conhecidos como Anexo I) e ações de mitigação dos países em desenvolvimento. Até agora é difícil de acreditar que a CoP-15 (ou melhor, uma reunião paralela à CoP-15) teve esse texto como resultado. No mínimo, tinha que ter produzido um acordo à altura da maior reunião da história das Nações Unidas, ou seja, um acordo justo, ambicioso e legalmente vinculante.</p>
<p style="text-align: justify; ">É claro que quando o <a href="http://unfccc.int/resource/docs/2009/cop15/eng/11a01.pdf#page=4" target="_blank">Copenhagen Accord</a> foi apresentado na plenária de encerramento da CoP-15 vários países condenaram o conteúdo, quer dizer, a ausência de conteúdo e senso de urgência no documento, a total falta de transparência e inclusão do processo. Como um documento produzido em um encontro paralelo do BASIC (Brasil, Índia, China e África do Sul) e EUA (Obama entrou na sala da reunião sem ser convidado e deu seus pitacos&#8230;), sem a presença de todos poderia se tornar um decisão da CoP-15? Eles bem que tentaram legitimar o texto apresentando-o para 26 países representativos dos blocos existentes nas negociações, mas como não houve consenso a Conferência das Partes apenas <a href="http://unfccc.int/resource/docs/2009/cop15/eng/11a01.pdf#page=4" target="_blank">tomou nota</a> do Acordo, ou seja, nem uma decisão da CoP ele é.</p>
<p style="text-align: justify; "><span style="text-decoration: underline;">Pausa 1</span> para lembrarmos do grande momento do fraquíssimo e desastrado primeiro-ministro dinamarquês pedindo para quem estivesse de acordo levantar as mãos, depois ser alertado que as decisões no âmbito da ONU acontecem por consenso, seguido pela sua confissão de desconhecimento das regras de procedimento da ONU – o microfone ficou ligado e deu para ouvir).</p>
<p style="text-align: justify; "><span style="text-decoration: underline;">Pausa 2</span>: Ontem, estava conversando com um amigo e ele disse que a CAN (Climate Action Network) ao longo de 2009 pensou em todos os cenários possíveis para Copenhague e planejou ações em cima disso: ruptura – novo acordo legalmente vinculante e decisão sobre o segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto; fundação: definição de elementos centrais como metas, ano base, ano de pico das emissões;  <em>greenwash, </em>colapso. Ninguém tinha previsto o cenário “bagunça total”.</p>
<p style="text-align: justify; ">Voltando&#8230;Depois de tudo isso, não tinha força física nem mental para escrever a respeito. Expressei meus sentimentos, publicando o <a href="http://adoptanegotiator.org/2009/12/18/atestado-de-obito-da-cop-15/" target="_blank">atestado de óbito da CoP-15</a>. Ainda por cima, tive que passar alguns dias em Copenhague depois do fim da CoP, pois quando fiz a reserva das passagens achei que seria uma boa ideia ficar uns dias por lá para conhecer a cidade e descansar. Confesso que foram dias muito melancólicos, andava pela cidade, fazia muito frio e tudo me lembrava o desastre da Conferência. Encontrei colegas e conhecidos, todos muito chateados e exaustos. Não vou me esquecer nunca de que no último dia que estava lá ouvi uma música que falava “I know it’s a wonderful world but I can’t feel it right now” e me identifiquei completamente.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong>2010</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">Pois é pessoal, o tão sonhado “acordo justo, ambicioso e legalmente” não foi produzido em Copenhague. Após 4 meses, os países-parte da Convenção do Clima (UNFCCC) e a sociedade civil precisam superar a CoP-15 e olhar para a frente. Como dizia a faixa na frente do Hotel Maritim, onde foram retomadas hoje as negociações de clima, “hora de recolher os cacos” (“time to pick up the pieces”). Na frente da faixa, havia 4 toneladas de vidro quebrado simbolizando os 4 graus de aumento da temperatura média global se forem mantidas as metas de redução de emissões submetidas por vários países-parte (118) da UNFCCC, como solicitava o “acordo” de Copenhague (o famigerado Copenhagen Accord, mencionado acima), que também fazia referência à necessidade de limitar o aumento médio da temperatura do planeta em 2 graus.</p>
<p style="text-align: justify; ">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4050/4505006132_45258251ed.jpg" alt="    " width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">    </p></div>
<p style="text-align: justify; ">Precisamos tirar lições dos acontecimentos de dezembro e mudar nossas estratégias sem esquecer, claro, que o senso de urgência não pode ser esquecido de maneira alguma. Este é o momento que temos para reconquistar a confiança dos países em desenvolvimento. A reunião de Bonn não trará muitas novidades em termos de conteúdo e anúncios, infelizmente. O que se espera desse encontro é a definição do plano de trabalho para o resto do ano, ou seja, quantas sessões além das já programadas (uma em junho também em Bonn, onde fica o secretariado da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima, e a 16ª. Conferência das Partes da UNFCCC, no final do ano, em Cancún no México) vão acontecer, o tempo de duração dessas sessões, que temas serão abordados, ou seja, é um encontro sobre o processo.</p>
<p style="text-align: justify; ">Ao longo desse primeiro dia, os países declararam que são necessários 2 ou 3 encontros entre junho e a CoP-16 (G-77 e China desejam que essas sessões ocorram em Genebra e Nova Iorque, onde estão localizados os escritórios da ONU, para possibilitar a maior participação de todos os países). Entre os países em desenvolvimento (LDCs, AOSIS, G77+China, Grupo Africano) predominaram discursos enfatizando que é no âmbito das Nações Unidas que um novo acordo deve ser negociado (não no G-20, não no Fórum das Maiores Economias sobre Energia e Clima – MEF). Além disso, ressaltaram que os dois trilhos das negociações (AWG-LCA: discussões sobre ações de longo prazo para países em desenvolvimento e desenvolvidos que não fazem parte do Protocolo de Quioto, ou seja, os Estados Unidos e AWG-KP: discussões sobre o segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto) devem ser mantidos e que o abandono do Protocolo de Quioto está fora de cogitação (ainda mais em detrimento do Copenhagen Accord). Outro tema em discussão foi que textos serão usados como base para os trabalhos em 2010. Muitos defenderam o uso dos relatórios do <a href="http://unfccc.int/resource/docs/2009/awglca8/eng/17.pdf" target="_blank">AWG-LCA</a> e <a href="http://unfccc.int/resource/docs/2009/awg10/eng/17.pdf" target="_blank">AWG-KP</a> produzidos a partir do encontro de dezembro. No entanto, a nova chair do LCA, Margaret Mukahanana-Sangarwe (Zimbábue) falou que vai produzir um novo texto de negociação para Bonn 2, em junho, o que gerou protestos de países como a Venezuela e Bolívia. Além disso, a chair quer que as discussões se concentrem apenas em 1 <em>contact group</em>, ao contrário dos diversos existentes até a CoP-15.</p>
<p style="text-align: justify; ">Outro assunto é o que fazer com o Copenhagen Accord (CA), já que ele não faz parte formalmente do processo das Nações Unidas, mas está sendo defendido com unhas e dentes pelos Estados Unidos, pois, de acordo com eles, o acordo representa um marco no combate às mudanças climáticas. Jogá-lo no lixo? Incorporá-lo nas negociações? Mas como aproveitá-lo? Como superar o problema de que foi produzido fora das negociações da ONU? De fato, o acordo vem ganhando crescente importância, já que conseguiu juntar mais de 100 países, que representam mais de <a href="http://www.usclimatenetwork.org/policy/copenhagen-accord-commitments" target="_blank">80% das emissões globais </a>(o protocolo de Quioto agrega só 30%), inclusive <a href="http://unfccc.int/files/meetings/application/pdf/unitedstatescphaccord_app.1.pdf" target="_blank">EUA</a>, <a href="http://unfccc.int/files/meetings/application/pdf/brazilcphaccord_app2.pdf" target="_blank">Brasil</a>, <a href="http://unfccc.int/files/meetings/application/pdf/indiacphaccord_app2.pdf" target="_blank">Índia</a>, <a href="http://unfccc.int/files/meetings/application/pdf/brazilcphaccord_app2.pdf" target="_self">China</a>, <a href="http://unfccc.int/files/meetings/application/pdf/southafricacphaccord_app2.pdf" target="_self">África do Sul</a> e Indonésia. No entanto, o &#8220;acordo&#8221; é bastante frágil. Por exemplo, propõe a criação de um Fundo Climático porém, para ser administrado pela UNFCCC precisa de uma decisão da CoP. Ademais, os países desenvolvidos se comprometem a doar US$30 bilhões entre 2010 e 2012 para adaptação e mitigação e depois US$100 bilhões até 2020, mas é muito vago e não detalha como isso vai acontecer, com quanto cada um vai contribuir, nem fala da onde virão os recursos. Nesse sentido, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, estabeleceu um grupo de alto nível sobre financiamento climático, co-liderado pelo primeiro-ministro da Inglaterra e pelo primeiro-ministro da Etiópia.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong>Brasil</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">Encontrei os 6 negociadores brasileiros presentes aqui em Bonn e não há nada de novo no front. O Embaixador Figueiredo continua sendo o chefe da delegação e, além dele, estão aqui André Odenbreit Carvalho (MRE), Sergio Serra (MRE), Thelma Krug (INPE), Marcelo Rocha (MCT) e Miguez (MCT). As dúvidas que ficam a respeito do Brasil no momento são: como o Brasil vai equilibrar sua participação no BASIC e no G77+China? Como o Brasil e a África do Sul vão conseguir influenciar Índia e China para que esses passem a assumir posições mais ambiciosas e construtivas nas negociações?  Até que ponto o Brasil vai aceitar que seja alcançada uma decisão isolada sobre REDD na CoP-16 sem um acordo completo? No plano doméstico: as mudanças climáticas serão integradas aos discursos dos candidatos à presidência da República? Marina, Serra e Dilma montaram seus palanques em Copenhague&#8230; E as discussões no Congresso sobre o Código Florestal vão se chocar com o objetivo de reduzir em 80% o desmatamento da Amazônia até 2020?</p>
<p style="text-align: justify; ">Além disso, temos desde dezembro uma lei que estabelece o <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12114.htm" target="_blank">Fundo Nacional sobre Mudança do Clima</a> que, desde então aguarda regulamentação, bem como a <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12187.htm" target="_blank">Política Nacional sobre Mudança do Clima</a> (PNMC) que estabeleceu um <span style="color: black; font-weight: normal;">compromis</span>so nacional voluntário (como pode ser voluntário se virou lei?) de redução das emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% projetadas até 2020. Seu parágrafo único diz: &#8220;a<span style="color: black; font-weight: normal;"> projeção das emissões para 2020 assim como o detalhamento das ações para alcançar o objetivo expresso no </span><span style="color: black;">caput</span><span style="color: black; font-weight: normal;"> serão dispostos por decreto, tendo por base o segundo Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal, a ser concluído em 2010&#8243;. </span> Esperamos ansiosamente a publicação desse inventário. Aguardamos também a revisão do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, prometida para o primeiro semestre desse ano.</p>
<p style="text-align: justify; "><strong>Reflexão</strong></p>
<p style="text-align: justify; "><strong>“Assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade&#8230;”</strong></p>
<p style="text-align: justify; ">O tempo continua passando e as emissões de gases de efeito estufa, de acordo com os últimos estudos científicos, devem atingir seu pico entre 2015 e 2017 e serem reduzidas drasticamente com objetivos de médio e longo prazo para impedir mudanças climáticas catastóficas. Como vamos conseguir isso? Eu acredito que só com cooperação internacional por meio de um processo realizado no âmbito da Organização das Nações Unidas que, vamos deixar as críticas de lado agora, é o único fórum que tem legitimidade e capacidade de preservar ao máximo os princípios do multilateralismo, inclusão e transparência. Quem deve liderar as discussões, e mais importante, as AÇÕES de mitigação, adaptação, transferência de recursos financeiros e transferência de tecnologia? Os países desenvolvidos porque são eles que ao longo da história emitiram mais gases de efeito estufa e se beneficiaram disso para se desenvolver.</p>
<p style="text-align: justify; ">Nada do que falei é novidade e também nada do que os negociadores dos diversos países que integram a UNFCCC e estão aqui em Bonn estão dizendo é novidade. Quando eles vão parar de falar e decidir alguma coisa? Por que é tão difícil partir para a ação? Por que eles arrastam essas reuniões há anos sem decidir nem avançar em nada? Por que os países desenvolvidos sempre falam que estão comprometidos, mas não apresentam nada concreto (pelo contrário, agora querem minar o Protocolo de Quioto)? Se nunca vão chegar a um acordo, porque não decidem pela extinção da Convenção de clima? Assim ninguém mais precisa acreditar, pressionar e ter expectativas de que algum dia em breve vão se engajar de fato no combate às mudanças climáticas&#8230; Até quando vão habitar e alimentar esse universo paralelo que insiste em não ver o que já está acontecendo?</p>
<p style="text-align: justify; ">Infelizmente, não tenho a resposta para essas perguntas, mas desconfio que tenha algo a ver com o complexo conceito de “interesse nacional” e o egoísmo humano. O que os países não percebem é que se comportando dessa maneira estão levando todos os serem humanos e suas economias cada vez mais para a beira do precipício por causa de um problema que simplesmente não está nem aí para a geografia política do planeta, quanto menos para a psicologia humana. TODOS serão afetados, principalmente as populações mais pobres dos países do Sul global, que pouco contribuíram para o aquecimento global, mas dependem da agricultura e não estão preparadas, nem possuem recursos para se adaptar à ocorrência cada vez maior de eventos climáticos extremos (tempestades, secas, furacões). É justo que essas populações vulneráveis não tenham acesso a recursos apropriados e tecnologias que possibilitem sua adaptação? É justo que a humanidade se auto-extermine?</p>
<p style="text-align: justify; ">Sabe, tenho medo de um dia me conformar com tudo isso e começar a aceitar que as coisas são simplesmente assim.</p>
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		<title>Estamos de volta!!!</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Apr 2010 16:53:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Russar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sem escrever desde a CoP-15, a tracker brasileira está de volta (assim como o projeto) e, antes de falar sobre as negociações de clima que serão retomadas amanhã, achou melhor desabafar e explicar porque continua acompanhando o universo paralelo chamado UNFCCC...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify; "><em>Observação: O post ficou mais longo e mais pessoal do que esperava, mas prometo que será o único, já que o foco desse blog são as negociações e os negociadores. É nisso que dá ficar 4 meses sem escrever&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify; ">O projeto “Adote um negociador” está de volta após um necessário período de hibernação e recuperação (foi difícil digerir o que aconteceu em Copenhague&#8230;)! Para iniciar as atividades de 2010, eu e mais cinco integrantes do projeto (Anna Collins – Reino Unido; Andrea Cinquina – Itália; Florent Baarsch – França; Joanna Dafoe – Canadá; Joshua Wiese – Estados Unidos) estamos em Bonn, Alemanha, para acompanhar a retomada das negociações de clima da ONU em 2010. Mas antes de contar o que aconteceu desde a CoP-15 e expectativas para a reunião da Convenção do Clima em  Bonn e para o restante do ano, vou falar um pouco sobre mim e apresentar o projeto.</p>
<p style="text-align: justify; ">Meu nome é Juliana Russar, sou paulistana, tenho 25 anos, sou formada em Relações Internacionais e fiz pós-graduação em meio ambiente. Desde 2007, acompanho as negociações internacionais sobre mudanças climáticas e também processos nacionais sobre o tema a partir da perspectiva da sociedade civil. Estive presente na CoP-13 (Bali, 2007), CoP-14 (Poznan, 2008) e, pelo <em>“Adopt a negotiator”</em>, na Bangkok Climate Change Talks (setembro/2009), Barcelona Climate Change Talks (novembro/2009) e na CoP-15 (Copenhague, dezembro de 2009). Sou apaixonada pelo tema desenvolvimento sustentável e também por política internacional. Além disso, adoro cinema, sou viciada em seriados norte-americanos (os do momento são Lost, Grey’s Anatomy e Ugly Betty), amo aprender idiomas, viajar e há pouco tempo comprei uma bicicleta para me aventurar por São Paulo (aos finais de semana, porque, infelizmente, sou muito desastrada para me locomover com uma bike em uma cidade sem nenhuma estrutura para tal).</p>
<p style="text-align: justify; ">A CoP-15 foi um marco e meio que encerrou um ciclo da minha (ainda) curtíssima carreira profissional. Explico: como já falei, as mudanças climáticas entraram na minha vida em 2007, ano da CoP-13, em Bali, onde foi lançada a rodada de negociações que teria que ser concluída na CoP-15, em dezembro de 2009, definindo os compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa dos países desenvolvidos para o período pós-2012 (quando termina o primeiro período de compromissos do Protocolo de Quioto) e as ações que os países em desenvolvimento, que atualmente respondem por uma significativa fatia no bolo das emissões globais, implementariam para reduzir sua contribuição ao aquecimento global.</p>
<p style="text-align: justify; ">Eu tinha acabado de me formar, não tinha nenhuma ideia do que queria fazer, sempre tive interesse pela temática ambiental, mas nada além disso. Matriculei-me em um curso de pós-graduação em meio ambiente e tive a grande oportunidade de trabalhar no Vitae Civilis, ONG ambientalista de São Paulo que trabalha há muitos anos com a questão climática, e foi lá que comecei a acompanhar as negociações internacionais sobre o assunto. Coloquei na minha cabeça que os 2 anos até a CoP-15 seriam um período experimental para ver se era isso mesmo que eu queria fazer da vida. Então foi isso, durante esse tempo, aprendi muito (mas ainda tem MUITO chão para eu virar uma <em>expert</em> em mudanças climáticas), trabalhei bastante, conheci pessoas do meio, entrei em contato com siglas maravilhosas como UNFCCC, PK, AWG, REDD, NAMAs, SBSTA, LDCs, AOSIS, CMP, CAN, MRV (não tem fim hahaha) e, claro, passei por algumas crises porque ingressar no mundo adulto, trabalhar no terceiro setor e lidar com um tema que exige uma profunda transformação de comportamento dos seres humanos e do modo de produção atual não é nada fácil. Numa dessas crises, saí do Vitae Civilis. Tive um tempo para pensar na vida e quando já estava quase certa de que era nessa área mesmo em que queria trabalhar, apesar de tudo, surgiu a oportunidade de participar do “Adote um negociador”.</p>
<p style="text-align: justify; ">Foi uma experiência tão enriquecedora que acabou confirmando minha opção pelas mudanças climáticas. Portanto, nesses dois anos, o mesmo tempo que tiveram os grandes emissores globais de gases de efeito estufa para negociarem com todos os países, assumir liderança e chegarem a um acordo justo, ambicioso e legalmente vinculante, amadureci e assumi uma posição, ao contrário deles, infelizmente. Confesso, no entanto, que não quero só me concentrar nas negociações, mas também em projetos locais – as duas abordagens (<em>top-down </em>e <em>bottom-up</em>) são complementares e essenciais. Calma! Não desisti dos nossos queridos negociadores e de participar do maravilhoso universo paralelo da UNFCCC que inclui no pacote muitas reuniões por dia, poucas horas de sono, refeições escassas, escutar inúmeras vezes o mesmo discurso, presenciar uma discussão de duas horas sobre a posição de uma vírgula no texto de negociação, corredores frios e sem luz natural, ter que se contentar com falas diplomáticas e oficiais que não dizem nada, sonhar que tenho discussões com o Obama sobre o comportamento dos Estados Unidos. Para não falar que só vejo o copo meio vazio, há também as pessoas envolvidas nas negociações. Acredito que a maioria está realmente comprometida em achar uma solução efetiva, assumir suas responsabilidades e liderar os esforços de enfrentamento das mudanças climáticas.</p>
<p style="text-align: justify; ">Mesmo depois da ressaca de Copenhague e de todas as restrições impostas às organizações não-governamentais, continuo acreditando que cada cidadão deste planeta tem o direito de saber o que os líderes mundiais estão negociando em nosso nome e como eles estão fazendo isso. “Não há decisões sobre nós, sem nós” (No decision about us, without us). Portanto, é fundamental a presença da sociedade civil nesse processo para dar transparência às negociações e também porque eles precisam ser lembrados em todos os momentos o real motivo da existência dessas reuniões que, de acordo com o Artigo 2 da Convenção do Clima é a “estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema climático. Esse nível deverá ser alcançado num prazo suficiente que permita aos ecossistemas adaptarem-se naturalmente à mudança do clima, que assegure que a produção de alimentos não seja ameaçada e que permita ao desenvolvimento econômico prosseguir de maneira sustentável”.  Se certos países, certas empresas, certos setores e certos indivíduos acharam que a sociedade civil sairia  enfraquecida disso tudo é o momento de dizer que estão errados. Todo mundo só precisava descansar um pouco depois do ritmo louco e frenético do segundo semestre de 2009, quando todos os pensamentos e energias estavam concentrados em Copenhague.</p>
<p style="text-align: justify; ">É aí que entra o “Adote um negociador” (AAN) versão 2010. O projeto faz parte da <a href="http://tcktcktck.org/" target="_blank">Campanha Global de Ações pelo Clima (GCCA) </a> e tem como objetivo compartilhar, principalmente por meio desse blog, as atividades, o desempenho e o comprometimento dos negociadores de países-chave na Convenção da ONU sobre clima. Inicialmente, o projeto estava planejado para durar até dezembro de 2009, em Copenhague, assim como a GCCA, mas como, por ausência de engajamento dos grandes emissores, o tratado justo, ambicioso e legalmente vinculante não foi acordado na CoP-15, decidiram continuar com o AAN. Ao longo de 2009, tivemos “<em>negotiator trackers” </em><em>de 13 países: </em>Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Alemanha, Itália, Suécia, França, Espanha, Japão, Austrália, Brasil, Índia e China que acompanharam os trabalhos dos chefes de delegação de seu país. Em 2010, inicialmente, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Itália, França e, obviamente, Brasil estão representados no projeto.</p>
<p style="text-align: justify; ">Esse ano gostaria muito de ampliar a interação com os queridos leitores do blog e fazer as vozes do maior número de pessoas serem ouvidas pelos participantes desse universo paralelo chamado UNFCCC, principalmente os negociadores brasileiros, portanto, convido todos e todas a me enviarem perguntas para que eu possa fazê-las aos nossos representantes, dúvidas, compartilhar pensamentos e  histórias (pessoais ou não) sobre mudanças climáticas que todos precisam saber. Lembro também que o conteúdo desse blog pode ser reproduzido livremente. O importante é espalhar a informação!</p>
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		<title>Continuar a continuar</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Dec 2009 11:11:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Russar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Adriana Charoux
Estar em Copenhague está sendo uma das experiências mais emocionantes da minha vida.
Apesar de toda a injustiça, apesar de toda barganha sacana dos líderes, da recusa dos países desenvolvidos em diminuir suas emissões de carbono, apesar do nível de arrogância e displicência norte-americana, a despeito da demora de decisões que, não sendo tomadas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_7838" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><img class="size-thumbnail wp-image-7838" src="http://adoptanegotiator.org/wp-content/uploads/2009/12/091-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /><p class="wp-caption-text">    </p></div>
<p style="text-align: justify; ">Por Adriana Charoux</p>
<p style="text-align: justify; ">Estar em Copenhague está sendo uma das experiências mais emocionantes da minha vida.</p>
<p style="text-align: justify; ">Apesar de toda a injustiça, apesar de toda barganha sacana dos líderes, da recusa dos países desenvolvidos em diminuir suas emissões de carbono, apesar do nível de arrogância e displicência norte-americana, a despeito da demora de decisões que, não sendo tomadas agora, ferrarão ainda mais a vida de quem menos contribuiu para essa encrenca ambiental em que nos metemos; apesar de ter conhecido gente que já perdeu familiares por causa de enchentes, que tiveram que mudar de seus países de origem porque eles simplesmente não existem mais, apesar dos ditos bonitos do Lula por aqui talvez não corresponderem à realidade do nosso amado país, apesar de dias mal dormidos, mal comidos, congelantes e angustiantes pela frustração que me são peculiares em momentos de alto stress e necessidade de velocidade ultrassônica de resposta.</p>
<p style="text-align: justify; ">Apesar de tudo isso, continuo acreditando que conseguimos juntos fazer algo muito incrível por aqui e que eu quero seguir fazendo parte disso.</p>
<p style="text-align: justify; ">Quero continuar conhecendo gente bacana e lutadora que mudou o rumo da sua própria vida tornando-a aquilo que queria que o mundo fosse, quero continuar sendo honrada e saudada com o grau de solidariedade de gente que me acolhe em sua própria casa tornando-a uma morada pra mim, de gente que me ajuda a pensar, escrever, refazer junto um texto, ceder uma escuta atenta, crítica e amorosa, repetir as mesmas informações que perdi, um bom prato de comida, uma grande porção de colo, um lenço pra enxugar as lágrimas e um abraço silencioso.</p>
<p style="text-align: justify; ">Quero, tendo a oportunidade de continuar fazendo algo que me faça sentido, que me faça sentir o sangue correndo nas veias, que me dê vontade de chorar de emoção, que, mesmo ao mostrar o tamanho da minha insignificância, me devolva a coragem de, a cada momento que achar que não tenho nada mais pra fazer, fazer mais alguma coisa.</p>
<p style="text-align: justify; ">Quero continuar acendendo velas, participando de fotos áreas nas quais ofereço meu corpo e e tocha acesa que seguro nas mãos para iluminar uma frase que compartilhei da elaboração, mesmo tendo sido em  silêncio.</p>
<p style="text-align: justify; ">Quero continuar vindo a encontros nos quais aprendo muito mais do que sinto que tenho para colaborar, quero aprender com jeitos tão diferentes e melhores dos que os que eu tenho feito, descobrir também que nada é em vão e que estar aqui é um presente e um chamado que tenho que acatar porque quero, porque ainda que minhas ações sejam modestas, minha vontade de colaborar é imensa. Ainda que saiba pouco, agora já posso dizer que sei de alguma coisa.</p>
<p style="text-align: justify; ">Quero mesmo descobrir, por meio da tentativa e do erro bem próprios da eterna estreia de que o que eu quero mesmo sempre é continuar a continuar.</p>
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